Rosane Damazio

Mobilidade Global

Profissionais internacionais: O-1, L-1 e imigração por trabalho

Para quem já construiu carreira, o caminho para os Estados Unidos raramente passa pelo visto mais óbvio.

Executivos, pesquisadores, artistas e empreendedores frequentemente descobrem que o visto adequado ao seu perfil não é o mais comentado. Dois se destacam.

O-1: reconhecimento comprovado

O O-1 destina-se a quem demonstra habilidade extraordinária em ciências, educação, negócios ou atletismo, ou realizações extraordinárias nas artes e na indústria audiovisual.

  • A comprovação se faz por prêmio internacional de destaque ou por um conjunto de critérios objetivos previstos em regulamento.
  • Em regra exige-se parecer consultivo de entidade de classe ou organização peer.
  • A petição é apresentada por empregador ou agente — não há autopetição.
  • A concessão inicial pode alcançar até três anos, com prorrogações posteriores.

Na prática, o O-1 recompensa quem documentou a própria trajetória: publicações, prêmios, cobertura de imprensa, participação em bancas e remuneração acima da média do setor. Reconstruir esse acervo depois é o ponto onde a maioria dos casos trava.

L-1: transferência dentro do mesmo grupo

O L-1 permite que uma empresa transfira profissional de unidade estrangeira para unidade americana do mesmo grupo.

  • L-1A — executivos e gerentes.
  • L-1B — profissionais com conhecimento especializado.
  • Exige relação societária qualificada entre a empresa estrangeira e a americana.
  • Exige, em regra, ao menos um ano contínuo de trabalho no exterior dentro dos três anos anteriores.
  • Para abertura de nova operação nos Estados Unidos, a concessão inicial é mais curta e sujeita a comprovação posterior de desenvolvimento.

Um detalhe estratégico costuma passar despercebido: o perfil que sustenta um L-1A frequentemente se aproxima dos requisitos da categoria imigrante para gerentes e executivos de multinacionais — o que pode abrir caminho para residência permanente sem passar por certificação de trabalho.

Planejar o segundo passo desde o primeiro

Vistos de trabalho são temporários por definição. A pergunta que deveria ser feita no início do processo — e quase nunca é — é o que vem depois dele.

Estruturar a entrada pensando na permanência costuma custar o mesmo. A diferença aparece três anos depois.

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